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RESUMO:O estudo propõe-se a abordar o processo de ocupação recente do oeste do Maranhão, parte integrante da chamada Amazônia Legal, entre as décadas de 1960 e 1970. A ênfase recai no aparelho de Estado e nas políticas públicas empreendidas pelos governos militares (1964-1985), nas quais se fixava como meta a ocupação e o controle dos espaços amazônicos considerados, segundo as falas oficiais, uma área de “vazio demográfico”, a fim de desenvolvê-los economicamente e conectá-los aos grandes centros econômicos do país e do mundo. Ao longo desse recorte temporal, o Maranhão ganha espaço no cenário nacional, assumindo protagonismo na disputa política dos grandes projetos de desenvolvimento do Estado e da expansão da fronteira agrícola (empreendimentos agrícolas, construção de infraestrutura e projetos de colonização). Nessa configuração espacial, a dimensão política dos espaços
constitui-se em tema nuclear, o que implica pensar como a Amazônia surge como fruto das disputas de poder, de estratégias e táticas que atuam na construção dos recortes espaciais. Ademais, tenta-se apreender algumas linhas de direcionamentos voltadas para a problematização das fronteiras e das identidades espaciais, com o intuito de investigar o tecido sobre o qual se forjou o denominado Maranhão Amazônico, através da análise dos regimes de verdade que reinventam a natureza, que orientam e direcionam os deslocamentos sociais, que estimulam as políticas governamentais e, também, as diferentes territorialidades constituídas nas relações entre os diversos grupos. Entre as muitas narrativas que instituem essa metáfora espacial, proponho pensá-la através de sua feição mais errante, analisando o projeto de modernização imposto pelo aparelho de Estado, com ênfase na demarcação de fronteiras, na
criação de políticas governamentais que direcionaram fluxos populacionais e atuaram com todas as engrenagens dominantes da violência na configuração espacial desse território. A fim de atingir os objetivos aqui propostos, utilizo como corpus documental uma diversidade de registros oficiais (relatórios, pronunciamentos, planos, programas, leis, decretos e medidas administrativas), fontes jornalísticas de periódicos como O Imparcial, Jornal do Dia e O Estado do Maranhão, de São Luís; e O Progresso, de Imperatriz, bem como algumas obras de cunho memorialístico. ABSTRACT: the study proposes to approach the recent occupation process of western maranhão, an integral
part of the known as legal amazon, between the 1960s and 1970s. the emphasis is on the state apparatus and public policies undertaken by the military governments (1964-1985), in which the goal was to occupy and control the amazonian spaces, considered, according to official statements, an area of “demographic void”, with the objective of developing them economically and connect them to the major economic centers of the country and the world. throughout this period of time, maranhão gets space on the national scene, assuming a leading role in the political dispute over the state's large development projects and the expansion of the agricultural frontier (agricultural enterprises, infrastructure construction and colonization projects). in this way, the political dimension of spaces constitutes a core theme. this implies thinking about how the amazon emerges as a result of power struggles, strategies and tactics
that act in the construction of regional borders. furthermore, an attempt is made to grasp some lines of direction aimed at dificulties regarding borders and regional identities, with the aim of investigating the fabric on which the alleged maranhão amazônico was forged, through the analysis of regimes of truth, which reinvent nature, guide and direct social movements, that stimulate government policies and, also, in the different territorialities constituted in the relationships between the different groups. among the many narratives that establish this spatial metaphor, i propose to think about it through its most errant aspect, observing the modernization project imposed by the state apparatus, which between the 1950s and 1980s demarcated borders, created government policies, directed population flows and acted with all the dominant
gears of violence in the spatial configuration of this territory. to fulfil the objectives proposed here, i use as a documentary compilation a diversity of official records (reports, pronouncements, plans, programs, laws, decrees and administrative measures), photographs, journalistic sources from periodicals such as o imparcial, jornal do dia and o estado do maranhão de são luís and o progresso de imperatriz and some works of a memorialistic nature. |
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