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RESUMO:Nas décadas de 1960 e 1970, no Brasil, consolidaram-se masculinidades viris em diversas instituições, caracterizadas por traços autoritários e violentos. Na gestão política da vida, o Estado saneador e a sociedade civil atuaram na moralização e na conformidade dos corpos à heterossexualidade. Simultaneamente, surgiram contrapoderes contestatórios, protagonizados especialmente pelos jovens. No âmbito das performances masculinas e dos desejos sexuais, houve uma quebra do pacto de silêncio entre homens, provocando uma redefinição do “ser homem” e desdobrando-se em múltiplos modelos de masculinidades viris: hippies, desbundados, punks, motoqueiros, jovens místicos, gurus espirituais, entre outros. Emergiram práticas homoeróticas que antes eram silenciadas e restritas à esfera privada, delineando uma
verdadeira revolução sexual entre homens. Como desdobramento dessa revolução dos
costumes, houve embates na sociedade civil que exigiram a intervenção do Estado na ordem sexual, com a aplicação de mecanismos legais de censura, investigação e punição da subversão política e moral, classificada como “pederastia”. A tese busca investigar a atuação dos órgãos da Ditadura Civil-Militar na produção e regulação das masculinidades, considerando sua relação com o que era percebido como subversão política e moral, a produção contracultural e os códigos disruptivos das categorias sexo-gênero-desejo. Argumenta-se que alguns homens envolvidos na repressão, censura e tortura durante o regime autoritário, apropriaram-se de práticas da subcultura homoerótica fetichista e sadomasoquista, evidenciando uma característica do autoritarismo: vigiar, punir e gozar para moralizar, em um processo sistemático
de violação dos direitos humanos. Para a análise, o corpus documental inclui jornais de ampla circulação, jornais alternativos, revistas, cartas, fotografias, panfletos, documentos de órgãos de vigilância do Estado, inquéritos policiais e processos criminais. |
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