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RESUMO: A apicultura no semiárido brasileiro enfrenta desafios relacionados às elevadas temperaturas, à escassez hídrica e às mudanças climáticas, fatores que afetam diretamente a manutenção das colônias de abelhas e a produtividade apícola. Nesse contexto, a presente pesquisa teve como objetivo avaliar os efeitos bioclimáticos da redução do alvado de colmeias de Apis mellifera L. durante a estação seca no semiárido piauiense, relacionando-os às percepções e práticas adotadas pelos apicultores locais. O estudo caracterizou-se como uma pesquisa qualiquantitativa, desenvolvida em duas etapas complementares. A primeira consistiu em um
experimento conduzido entre agosto e novembro de 2025, no município de Patos do Piauí, utilizando colmeias Langstroth submetidas a quatro tratamentos: sem redução do alvado (controle), redução de alvado de 50%, 75% e 90%. Foram monitoradas as temperaturas internas das colmeias por meio de dataloggers, além da observação de ataques de pragas e abandono de colônias. A segunda etapa compreendeu entrevistas semiestruturadas realizadas com apicultores da Associação de Apicultores da Data Boa Vista - ABOMEL, no município de Massapê do Piauí, buscando compreender a percepção dos produtores acerca do uso do redutor de alvado como tecnologia social de manejo. Os resultados evidenciaram que reduções moderadas do alvado, 50% e 75%, não comprometeram significativamente o equilíbrio térmico das colmeias, mantendo padrões semelhantes ao grupo controle. Em contrapartida, a redução
de 90% promoveu maior retenção de calor, especialmente nos períodos da tarde e da noite, indicando limitação da ventilação interna e aumento do estresse térmico. Também foi observado que o uso do redutor reduziu a ocorrência de pragas, porém reduções excessivas favoreceram o abandono de colônias. Quanto ao conhecimento dos apicultores, verificou-se que o redutor de alvado é amplamente utilizado como estratégia de proteção contra invasores e predadores, sendo pouco reconhecida sua influência sobre a regulação térmica das colmeias. Conclui-se que a redução do alvado influencia diretamente o microclima das colmeias e sua eficiência depende da intensidade de aplicação e das condições ambientais do semiárido, sendo
recomendada a utilização de reduções moderadas, 50% e 75% de redução de alvado, como estratégia de manejo sustentável para a apicultura regional. ABSTRACT: Beekeeping in the Brazilian semiarid region faces challenges related to high temperatures, water scarcity, and climate change, factors that directly affect the maintenance of bee colonies and apicultural productivity. In this context, the present study aimed to evaluate the bioclimatic effects of hive entrance reduction in Apis mellifera L. colonies during the dry season in the semiarid region of Piauí, relating these effects to the perceptions and management practices adopted by local beekeepers.
The study was characterized as a qualitative-quantitative research approach, developed in two complementary stages. The first stage consisted of an experiment conducted between August and November 2025 in the municipality of Patos do Piauí, using Langstroth hives subjected to four treatments: no entrance reduction (control), and entrance reductions of 50%, 75%, and 90%. Internal hive temperatures were monitored using data loggers, in addition to observations of pest attacks and colony abandonment.
The second stage comprised semi-structured interviews conducted with beekeepers from the Associação de Apicultores da Data Boa Vista (ABOMEL), located in the municipality of Massapê do Piauí, aiming to understand producers’ perceptions regarding the use of hive entrance reducers as a social management technology.
The results showed that moderate entrance reductions (50% and 75%) did not significantly compromise the thermal balance of the hives, maintaining temperature patterns similar to those observed in the control group. In contrast, a 90% entrance reduction promoted greater heat retention, especially during the afternoon and nighttime periods, indicating limited internal ventilation and increased thermal stress. It was also observed that the use of entrance reducers decreased the occurrence of pests; however, excessive reductions favored colony abandonment. Regarding beekeepers’ knowledge, the hive entrance reducer was found to be widely used as a strategy for protection against invaders and predators, while its influence on hive thermal regulation was rarely recognized. It is concluded that hive entrance reduction directly influences the microclimate of colonies, and its effectiveness depends on the intensity of application and the environmental conditions of the semiarid region. Therefore, moderate
reductions (50% and 75%) are recommended as a sustainable management strategy for regional beekeeping.