Abstract:
RESUMO: A adubação de cobertura com nitrogênio (N) e potássio (K) é determinante para a produtividade e a qualidade dos frutos de abacaxi, porém a definição de doses que conciliem alto rendimento, qualidade e manutenção de processos fisiológicos ainda é pouco consolidada para condições da região Meio-Norte do Piauí. Assim, objetivou-se avaliar os efeitos de doses de N e K2O nos parâmetros nutricionais, fisiológicos, bioquímicos, de produção e qualidade de frutos do abacaxizeiro ‘Pérola’. O experimento foi conduzido com abacaxizeiro ‘Pérola’ em fileiras duplas no espaçamento de 0,90 × 0,40 × 0,40 m, com irrigação por gotejamento. O delineamento foi em blocos casualizados, esquema fatorial 4 × 2, quatro doses de N (0, 160, 320 e 640 kg ha-1) e duas de K2O (240 e 480 kg ha-1), com 4 repetições. A aplicação de ureia e cloreto de potássio (KCl) foi feita em cobertura, de forma parcelada aos 60, 150, 210 e 270 dias após o transplantio (DAT). A indução floral ocorreu aos 360 DAT com Ethrel® 720 e a colheita aos 480 DAT, no estágio comercial. Foram avaliados os teores de clorofila a, b e total; atividade antioxidante das enzimas SOD, CAT, APX e G-POD em folhas e raízes; teores foliares de macronutrientes na folha ‘D’ e acúmulo e eficiências nutricionais de absorção, translocação e uso; massa seca da parte aérea e das raízes, comprimento e largura da folha ‘D’; massa do fruto com coroa e sem coroa, produtividade, rendimento de polpa; pH, acidez titulável, sólidos solúveis, relação SS/AT, vitamina C, proteínas totais e açúcares totais dos frutos. Os dados foram submetidos a ANOVA e aplicado análise de regressão. Complementarmente, realizou-se PCA, rede de correlação de Pearson e aplicado a função de desejabilidade. As análises foram
realizadas no software R. Os resultados indicaram que o manejo de N e K2O afetou o estado nutricional, refletindo-se em alterações simultâneas nos atributos fisiológicos, bioquímicos, produtivos e de qualidade dos frutos. Doses intermediárias de N, especialmente quando associadas às doses de 480 kg ha-1 de K2O, estiveram relacionadas ao melhor equilíbrio entre crescimento vegetativo e produção, com incremento dos pigmentos fotossintéticos e ganhos em produtividade e em variáveis de qualidade química do fruto. Em contraste, doses baixas de N limitaram o vigor a produção e a qualidade dos frutos, sendo acompanhadas por respostas indicativas de ajustes fisiológicos, como baixo teor de clorofila a e b e restrição nutricional,
como redução do teor foliar acúmulo de macronutrientes. Por outro lado, a dose de 640 kg ha-1 de N promoveu maior desenvolvimento vegetativo, porém com retorno reduzido em produtividade e qualidade, apresentando maior atividade enzimática do sistema antioxidante como mecanismo de proteção metabólica. A combinação de 355 kg ha-1 de N e 480 kg ha-1 de K2O proporciona o melhor desempenho agronômico, com aumento da produtividade e aprimoramento dos atributos de qualidade dos frutos. ABSTRACT: A topdressing fertilization strategy with nitrogen (N) and potassium (K) is crucial for pineapple fruit yield and quality; however, defining rates that reconcile high yield, quality, and the maintenance of physiological processes remains insufficiently established under the conditions of the Mid-North region of Piauí, Brazil. Thus, this study aimed to evaluate the effects of N and K2O rates on nutritional, physiological, biochemical, yield, and fruit-quality parameters of ‘Pérola’ pineapple. The experiment was conducted with ‘Pérola’ pineapple grown in double-row planting at 0.90 × 0.40 × 0.40 m spacing under drip irrigation. A randomized complete block design was adopted in a 4 × 2 factorial arrangement, consisting of four N rates (0, 160, 320, and 640 kg ha-1) and two K₂O rates (240 and 480 kg ha-1), with four replications. Urea and potassium chloride (KCl) were applied as split topdressings at 60, 150, 210, and 270 days after transplanting (DAT). Floral induction was performed at 360 DAT using Ethrel® 720, and harvest occurred at 480 DAT at the commercial maturity stage. The following
variables were assessed: chlorophyll a, b, and total; antioxidant enzyme activities (SOD, CAT, APX, and G-POD) in leaves and roots; foliar macronutrient concentrations in the ‘D’ leaf and nutrient accumulation as well as nutritional efficiencies of absorption, translocation, and use; shoot and root dry mass, and ‘D’ leaf length and width; fruit mass with crown and without crown, yield, and pulp yield; and fruit pH, titratable acidity, soluble solids, SS/TA ratio, vitamin C, total proteins, and total sugars. Data were subjected to ANOVA followed by regression analysis. Additionally, principal component analysis (PCA), a Pearson correlation network, and the desirability function were applied. Analyses were performed using R software. The results indicated that N and K2O management affected nutritional status, resulting in simultaneous changes in physiological, biochemical, productive, and fruit-quality attributes. Intermediate N
rates, especially when combined with 480 kg ha-1 K2O, were associated with a better balance between vegetative growth and production, increasing photosynthetic pigments and improving yield and chemical quality traits of the fruit. In contrast, low N rates limited plant vigor, yield, and fruit quality and were accompanied by responses indicative of physiological adjustment, such as low chlorophyll a and b contents, and nutritional constraint, such as reduced foliar macronutrient concentrations and accumulation. Conversely, 640 kg ha-1 N promoted greater vegetative growth, but with diminished returns in yield and quality, and elicited higher antioxidant enzyme activity as a metabolic protection mechanism. The combination of 355 kg ha-1 N and 480 kg ha-1 K2O provides the best agronomic performance, increasing yield and enhancing fruit-quality attributes.