Abstract:
RESUMO: A partir da expansão de shopping centers no Brasil, observa-se diversas transformações socioambientais, caracterizadas por impactos no tráfego, infraestrutura, emissões de poluentes, uso do solo, de recursos naturais, dentre outros. Na literatura científica, identificou-se uma carência por um método de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) que integrasse sistematicamente o ciclo de vida completo e as dimensões da sustentabilidade – ambiental, social e econômica – para esses empreendimentos. Neste estudo, foi desenvolvido um novo método de AIA “Método de Osvaldo”, no qual são consideradas as particularidades desses espaços visando superar essa lacuna metodológica. Mediante esta abordagem, foi realizada uma pesquisa envolvendo métodos mistos, com análise crítica da literatura, desenvolvimento de um instrumento de coleta multidimensional (589 indicadores), estudo de caso múltiplo em cinco shopping centers do Piauí e a análise documental de estudos ambientais. Nos resultados empíricos, a robustez do método e a sua capacidade de identificação e quantificação dos impactos de forma hierarquizada foi demonstrada. No processo de validação, a partir da sua aplicação em um dos shoppings, constatou-se que a maioria dos impactos é de "Média" a "Muito Alta Significância" (84% do total), com predomínio nas dimensões ambiental (ciclo hidrológico, biodiversidade, resíduos) e social (mobilidade urbana, dinâmicas socioculturais), e reconfiguradores na dimensão econômica (mercado imobiliário). No Método de Osvaldo, ao ser decomposta a avaliação em atributos hierárquicos e ser empregado um cálculo rastreável, reduz-se a subjetividade e é oferecido um diagnóstico para a gestão ambiental. O método criado representa uma contribuição inédita ao campo da AIA, fornecendo um instrumento padronizado e replicável para o licenciamento ambiental e a gestão proativa da sustentabilidade nesses centros comerciais, alinhada ao novo marco regulatório brasileiro (Lei Geral do Licenciamento Ambiental - Lei n° 15.190/2025) e às melhores práticas internacionais. ABSTRACT: With the expansion of shopping centers in Brazil, several socio-environmental transformations have been observed, characterized by impacts on traffic, infrastructure, pollutant emissions, land use, natural resources, among others. The scientific literature has identified a lack of an Environmental Impact Assessment (EIA) method that systematically integrates the complete life cycle and the dimensions of sustainability – environmental, social, and economic – for these projects. In this study, a new EIA method, the "Osvaldo Method," was developed, which considers the particularities of these spaces in order to overcome this methodological gap. Using this approach, a mixed-methods study was conducted, including a critical analysis of the literature, the development of a multidimensional data collection instrument (589 indicators), a multiple case study in five shopping centers in Piauí, and a documentary analysis of environmental studies. The empirical results demonstrated the robustness of the method and its ability to identify and quantify impacts in a hierarchical manner. In the validation process, based on its application in one of the shopping malls, it was found that most impacts are of "Medium" to "Very High Significance" (84% of the total), predominantly in the environmental (hydrological cycle, biodiversity, waste) and social (urban mobility, sociocultural dynamics) dimensions, and reconfiguring in the economic dimension (real estate market). In Osvaldo's Method, by decomposing the assessment into hierarchical attributes and employing a traceable calculation, subjectivity is reduced and a diagnosis for environmental management is offered. The method developed represents a groundbreaking contribution to the field of EIA., providing a standardized and replicable instrument for environmental licensing and proactive sustainability management in these shopping centers, aligned with the new Brazilian regulatory framework (General Law on Environmental Licensing - Law N°. 15.190/2025) and international best practices.