Abstract:
RESUMO: Estudos da ocorrência de Chlamydia psittaci não são descritos na literatura para o
estado do Piauí, localizado na região nordeste do Brasil. O presente estudo, portanto,
objetivou-se investigar a ocorrência da Chlamydia psittaci em aves da ordem
Psittaciformes provenientes de órgãos ambientais do estado do Piauí e aves mantidas
como pets atendidas em consultório veterinário em Teresina/Piauí. No período de março
de 2020 a setembro de 2022 foram colhidas amostras cloacais de 146 animais de dois
centros de triagem e reabilitação de animais selvagens (CETAS Ibama e CETAS
Teresina) e de uma clínica veterinária. No caso do CETAS, os animais eram oriundos de
apreensão provenientes de tráfico ou animais de entrega voluntária pela população,
enquanto os atendidos na clínica veterinária possuíam tutor e eram criados como animais
de estimação. As amostras foram avaliadas para detecção de Chlamydia psittaci
utilizando a técnica de reação em cadeia pela polimerase (PCR), sendo analisadas em
pool quando da mesma origem. Um total de 19,8% (n=19; IC 95%: 12,6% 29,7) foram
positivos para C.psittaci, sendo 14,3% (5/51) oriundos do CETAS IBAMA, 90% (9/10)
de Cetas Teresina e 14,2% (5/35) dos animais domiciliados atendidos no consultório. Este
é o primeiro registro de Chlamydia psittaci no estado do Piauí. Não houve diferença
significativa entre a positividade de adultos e filhotes, o que pode ter sido influenciado
pelas condições de manejo e instalações inadequadas nos locais pesquisados. Com relação
as aves de estimação atendidas no consultório, os indivíduos positivos eram de espécies
exóticas. Até o presente estudo, todos os animais recebidos nos CETAS foram
posteriormente soltos em vida livre pelos órgãos ambientais sem nenhum protocolo ou
avaliação clínica. Dessa forma, esta pesquisa ressalta a importância da obtenção de um
diagnóstico precoce aliado as boas práticas de manejo visando diminuir a transmissão
entre os animais e a contaminação ambiental. Espera-se ainda contribuir com a saúde
pública e conservação da biodiversidade.
ABSTRACT: Studies on the occurrence of Chlamydia psittaci are not described in the
literature for the state of Piauí, located in the northeast region of Brazil. The present study,
therefore, aimed to investigate the occurrence of Chlamydia psittaci in birds of the order
Psittaciformes from environmental agencies in the state of Piauí and birds kept as pets
treated at a veterinary office in Teresina/Piauí. From March 2020 to September 2022,
cloacal samples were collected from 146 animals from two wild animal screening and
rehabilitation centers (CETAS Ibama and CETAS Teresina) and a veterinary clinic. In
the case of CETAS, the animals came from seizures from trafficking or animals
voluntarily surrendered by the population, while those treated at the veterinary clinic had
a guardian and were raised as pets. The samples were evaluated for detection of
Chlamydia psittaci using the polymerase chain reaction (PCR) technique, being analyzed
in pools when from the same origin. A total of 19.8% (n=19; 95% CI: 12.6% 29.7) were
positive for C.psittaci, with 14.3% (5/51) coming from CETAS IBAMA, 90% (9 /10) of
Cetas Teresina and 14.2% (5/35) of domiciled animals treated at the office. This is the
first record of Chlamydia psittaci in the state of Piauí. There was no significant difference
between the positivity of adults and puppies, which may have been influenced by
inadequate management conditions and facilities in the researched locations. Regarding
the pet birds seen in the office, the positive individuals were from exotic species. Until
the present study, all animals received at CETAS were subsequently released into the
wild by environmental agencies without any protocol or clinical evaluation. Therefore,
this research highlights the importance of obtaining an early diagnosis combined with
good management practices to reduce transmission between animals and environmental
contamination. It is also expected to contribute to public health and biodiversity
conservation.